Não. O HPV não é uma epidemia recente. Ele é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais frequentes no mundo e circula entre os seres humanos há muito tempo.
A maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com algum tipo de HPV em algum momento da vida. Como a infecção geralmente não provoca sintomas e deixa de ser detectada espontaneamente, muitas pessoas nunca saberão que tiveram HPV.Por isso, depois que alguém recebe um resultado positivo e começa a conversar sobre o assunto, pode se surpreender ao descobrir que irmãs, amigas, colegas ou parceiros também já tiveram HPV, verrugas genitais ou alguma alteração relacionada ao vírus.
Isso não significa que esteja ocorrendo uma epidemia entre as pessoas próximas a você. Significa principalmente que o HPV é muito comum.
Se o HPV é tão comum, por que nem todo mundo tem doença?
Porque ter contato com HPV é muito diferente de desenvolver uma doença causada pelo vírus.Na maioria das pessoas, a infecção não provoca qualquer problema importante. Mesmo entre aquelas que adquirem um tipo de HPV oncogênico, a maior parte das infecções deixa de ser detectada sem produzir uma lesão precursora.
O risco se torna mais relevante quando determinados tipos de HPV oncogênico persistem durante anos. Em uma pequena proporção das pessoas, essa persistência pode levar ao desenvolvimento de lesões precursoras e, se elas não forem identificadas e tratadas quando necessário, eventualmente ao câncer.
É justamente por isso que existe o rastreamento do câncer do colo do útero: não porque ter HPV signifique que uma pessoa desenvolverá câncer, mas para identificar aquelas poucas pessoas em que a infecção está associada a maior risco de haver uma lesão.
Posso ter adquirido HPV de toalhas, roupas ou do vaso sanitário?
Essa não é a forma habitual de transmissão do HPV genital.A transmissão ocorre principalmente pelo contato íntimo entre pele e mucosas, sobretudo durante a atividade sexual, e não depende necessariamente de penetração.
Encontrar HPV em superfícies ou objetos não significa que essa seja uma via importante de transmissão entre pessoas. Não há motivo para atribuir uma infecção genital pelo HPV ao uso de vasos sanitários, toalhas ou objetos de uso cotidiano.
Portanto, descobrir que várias pessoas próximas já tiveram HPV não deve causar surpresa nem levar à procura de uma fonte comum de contaminação. HPV é muito frequente; desenvolver uma doença importante causada por ele é muito menos frequente.