Os testes para detecção do HPV existem há várias décadas e utilizam diferentes técnicas laboratoriais. Atualmente, destacam-se os testes moleculares capazes de identificar o DNA dos tipos de HPV relacionados ao câncer do colo do útero, chamados HPV oncogênicos ou de alto risco.

As novas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero modificaram de forma importante a maneira como esses exames são utilizados. O teste de DNA-HPV oncogênico passou a ser o exame primário recomendado para o rastreamento, substituindo progressivamente o exame preventivo tradicional, também conhecido como Papanicolaou, citopatológico ou citologia oncótica.

Essa mudança ocorreu principalmente porque o teste de DNA-HPV é mais sensível: quando seu resultado é negativo, a probabilidade de existir ou surgir nos próximos anos uma lesão precursora importante é muito pequena. Por esse motivo, após um teste de DNA-HPV negativo, o rastreamento pode ser repetido somente cinco anos depois.

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/r/rastreamento-cancer-do-colo-do-utero/view

 

A partir de que idade deve ser realizado?

Para mulheres — e demais pessoas com colo do útero — de risco habitual, que já iniciaram atividade sexual, o rastreamento com teste de DNA-HPV deve começar aos 25 anos.

Antes dos 25 anos, não é recomendado realizar rastreamento nem com teste de HPV nem com Papanicolaou. Nessa faixa etária, as infecções pelo HPV são muito frequentes e, na grande maioria das vezes, desaparecem espontaneamente. O rastreamento precoce poderia levar à investigação e ao tratamento de alterações que provavelmente regrediriam sem qualquer intervenção, ocasionando mais danos do que benefícios.

O rastreamento pode ser encerrado quando houver um teste de DNA-HPV negativo realizado após os 60 anos, desde que não existam condições especiais que indiquem acompanhamento prolongado. Mulheres que já trataram lesões precursoras importantes, por exemplo, podem necessitar de seguimento por mais tempo.

O que significa um teste de HPV positivo?

Ter HPV oncogênico detectado não significa ter câncer e nem mesmo necessariamente ter uma lesão precursora. O teste identifica uma infecção que aumenta o risco de desenvolvimento dessas alterações.

O risco não é o mesmo para todos os tipos de HPV. Os tipos HPV 16 e HPV 18 estão particularmente associados ao câncer do colo do útero e, por isso, recebem uma conduta diferente.

As novas diretrizes brasileiras recomendam testes capazes de realizar genotipagem, isto é, distinguir pelo menos os tipos de maior risco dos demais HPV oncogênicos.

O que fazer quando o teste é positivo?

HPV 16 ou HPV 18 detectado: a recomendação é realizar diretamente uma colposcopia, sem necessidade de um Papanicolaou prévio para decidir esse encaminhamento.

Outros tipos de HPV oncogênico: deve ser realizada uma citologia reflexa, preferencialmente utilizando a mesma amostra já coletada para o teste de HPV. Se a citologia apresentar qualquer alteração a partir de ASC-US ou se for insatisfatória, está indicada a colposcopia.

Se esses outros tipos de HPV forem detectados, mas a citologia estiver normal, em geral não há necessidade de colposcopia imediata. O teste de DNA-HPV deve ser repetido em 12 meses.

Se o novo teste for negativo, a pessoa retorna ao rastreamento habitual, repetindo-o em cinco anos. Se houver persistência da infecção, a conduta dependerá do tipo de HPV, do resultado da nova citologia e do tempo de persistência. A presença persistente de HPV oncogênico por dois anos ou mais é indicação de colposcopia, mesmo que a citologia permaneça normal.

E o Papanicolaou?

O Papanicolaou continua sendo um exame importante, mas seu papel está mudando.

No novo modelo de rastreamento, não se recomenda realizar rotineiramente Papanicolaou e teste de DNA-HPV ao mesmo tempo. A citologia passa a ter principalmente a função de complementar a avaliação das pessoas nas quais o teste de DNA-HPV detectou tipos oncogênicos diferentes do HPV 16 e 18.

Nas regiões onde o teste de DNA-HPV ainda não estiver disponível, o exame citopatológico continuará sendo utilizado para o rastreamento durante o período de transição para o novo programa.

E a Captura Híbrida?

A Captura Híbrida foi um dos primeiros testes de HPV amplamente utilizados e teve grande importância na introdução da pesquisa molecular do HPV na prática clínica. Ela detecta conjuntamente um grupo de tipos oncogênicos, mas não identifica individualmente HPV 16 e HPV 18.

As novas diretrizes brasileiras priorizam testes de DNA-HPV baseados em PCR, com genotipagem parcial ou estendida, pois essa informação permite estimar melhor o risco e definir a necessidade de colposcopia.

Na Captura Híbrida, o laboratório pode apresentar um valor numérico relacionado à intensidade do sinal do exame. Algumas vezes esse resultado é chamado de “carga viral”, mas ele não deve ser interpretado como uma medida da quantidade de vírus capaz de indicar a gravidade da doença. Esse valor não é utilizado para decidir a necessidade de colposcopia, determinar se uma lesão é mais ou menos grave ou acompanhar se a infecção está melhorando.

O que realmente importa para a decisão clínica é se um HPV oncogênico foi detectado, qual o tipo de HPV envolvido quando há genotipagem, os resultados dos exames complementares e a persistência ou não da infecção ao longo do tempo.

As recomendações acima se referem ao rastreamento de pessoas assintomáticas e de risco habitual. Mulheres com sintomas, imunossupressão ou história prévia de lesões precursoras ou câncer podem necessitar de acompanhamento diferente e individualizado.