A NIC 2 é a neoplasia intraepitelial de grau 2. É considerada uma lesão de alto grau, ou seja, uma lesão precursora  do câncer do colo do útero.

Em geral, as lesões precursoras devem ser tratadas para impedir a progressão para o câncer. Mas evidências consistentes têm mostrado que a maioria das NIC 2 regridem após a biópsia, especialmente em mulheres até 30 anos. Considerando que os tratamentos excisionais acarretam algum risco de complicações em gestações futuras, principalmente parto prematuro, a maioria das diretrizes internacionais e a brasileira (em atualização) recomendam que mulheres até 30 anos ou com preocupações quanto a futuras gestações sejam abordadas conservadoramente.

Mas, no lugar de serem tratadas, essas mulheres devem ficar em um seguimento cuidadoso, repetindo citologia e colposcopia a cada seis meses e teste de DNA-HPV oncogênico anual. Se durante esse seguimento for percebida alguma evidência de lesão mais relevante (NIC 3) ou, se ao final de dois anos a lesão permanecer estável, a recomendação é que a mulher seja tratada. 

Também existem evidências de mulheres com NIC 2 abordadas conservadoramente têm maior probabilidade de câncer no futuro.

Há uma proposta americana, de 2012, que se baseia apenas da presença de um biomarcador: o p16. Assim, seu médico poderá pedir esse exame para definir a necessidade de tratamento. Todavia, acreditamos que esse não deve ser o único parâmetro para a tomada de decisão. Idade, resultado do preventivo que motivou a colposcopia, tipo de HPV presente, extensão e aspecto da lesão biopsiada e aspecto e extensão da lesão que restou após a biópsia e, principalmente, a possibilidade de seguimento, nos parece um conjunto mais adequado de parâmetros para a decisão de tratar ou seguir conservadoramente (sem tratamento).

Na Cervical procuramos fazer avaliações individualizadas e discutir a decisão de tratar ou acompanhar com a própria mulher e seu médico assistente.

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