No Brasil, estão disponíveis vacinas que protegem contra diferentes números de tipos de HPV. A vacina quadrivalente protege contra os tipos 6 e 11, responsáveis pela maioria dos condilomas (verrugas genitais), e contra os tipos oncogênicos 16 e 18, responsáveis por grande parte dos cânceres relacionados ao HPV.
Existe também a vacina nonavalente, que, além desses quatro tipos, protege contra outros cinco HPV oncogênicos: 31, 33, 45, 52 e 58. Ela está disponível no Brasil na rede privada.
Quem deve tomar a vacina?
A vacina funciona melhor quando administrada antes do contato com o HPV. Por isso, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) oferece gratuitamente pelo SUS a vacina quadrivalente para meninas e meninos de 9 a 14 anos, atualmente em dose única.Existem ainda indicações específicas para outros grupos, como pessoas imunodeprimidas, pessoas vivendo com HIV, transplantados, pacientes oncológicos, usuários de PrEP, vítimas de violência sexual e pessoas com papilomatose respiratória recorrente e para mulheres até um ano após o tratamento de lesões precursoras do câncer do colo do útero. Nesses casos, as idades e o número de doses podem ser diferentes.
Além disso, até dezembro de 2026, o Ministério da Saúde mantém uma estratégia de resgate vacinal para adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que não tenham sido vacinados anteriormente.
Como essas recomendações podem mudar, vale consultar o calendário de vacinação atualizado do Ministério da Saúde.
A vacina contra o HPV é segura?
Sim. As vacinas contra o HPV vêm sendo utilizadas em grande escala há muitos anos e apresentam um bom perfil de segurança.Como acontece com outras vacinas, podem ocorrer reações, principalmente dor, vermelhidão ou inchaço no local da aplicação, além de sintomas gerais transitórios. Eventos adversos graves podem ocorrer, mas são raros e precisam ser investigados individualmente para saber se realmente foram causados pela vacinação.
Ao longo dos anos surgiram notícias e relatos atribuindo diferentes doenças à vacina contra o HPV. A vigilância realizada após milhões de doses aplicadas não confirmou várias dessas associações inicialmente levantadas.
Quem tomou a vacina ainda precisa fazer o rastreamento do câncer do colo do útero?
Sim.Nenhuma das vacinas protege contra todos os HPV oncogênicos. Além disso, muitas pessoas vacinadas podem ter tido contato com algum tipo de HPV antes da vacinação.
Por isso, pessoas com colo do útero vacinadas devem participar normalmente do rastreamento. Pelas novas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, o teste de DNA-HPV oncogênico passou a ser o método primário recomendado. Para pessoas de risco habitual, o rastreamento começa aos 25 anos e, quando o resultado é negativo, o teste é repetido a cada cinco anos.
A vacina trata uma infecção ou uma lesão que já existe?
Não. As vacinas atualmente disponíveis são profiláticas, isto é, foram desenvolvidas para prevenir infecções, e não para eliminar uma infecção pelo HPV ou tratar uma lesão já existente.Por isso, uma pessoa com condiloma, teste de HPV positivo ou uma lesão precursora não deve receber a vacina com a expectativa de que ela faça desaparecer o vírus ou trate aquela lesão.
Existe discussão sobre um possível benefício da vacinação em pessoas que já tiveram contato com HPV ou depois do tratamento de lesões precursoras. Entretanto, as evidências sobre o benefício clínico nessas situações são muito menos consistentes do que aquelas que sustentam a vacinação antes da exposição ao vírus. Portanto, essa é uma questão diferente da vacinação profilática de crianças e adolescentes e deve ser analisada separadamente.
Vacinas destinadas especificamente ao tratamento de infecções ou lesões causadas pelo HPV vêm sendo estudadas, mas não fazem parte da vacinação de rotina atualmente disponível.