Sim. Isso é bastante possível.
Uma infecção pelo HPV pode permanecer por muito tempo sem causar qualquer lesão perceptível e sem provocar alterações no preventivo ginecológico (Papanicolaou). Além disso, depois de uma infecção tornar-se indetectável, o HPV pode voltar a ser detectado anos mais tarde.
Por isso, o aparecimento de um condiloma ou de outra lesão relacionada ao HPV não significa necessariamente que a infecção tenha sido adquirida recentemente. Muitas vezes não é possível determinar quando ocorreu a infecção ou de quem ela foi adquirida. Ela pode ter acontecido meses ou mesmo anos ou décadas antes.
Isso também explica por que exames preventivos normais realizados anteriormente não excluem uma infecção prévia pelo HPV. O Papanicolaou procura alterações nas células, e não o vírus propriamente dito. Assim, uma pessoa pode ter HPV sem apresentar alterações citológicas.
Atualmente existem testes que pesquisam diretamente o material genético do HPV. Esses testes têm uma finalidade diferente da citologia e, no caso dos HPV oncogênicos, passaram a ser utilizados como método primário para o rastreamento do câncer do colo do útero nas novas Diretrizes Brasileiras.
Portanto, diante do aparecimento de uma lesão pelo HPV depois de meses ou anos de exames normais, não é possível concluir que tenha ocorrido uma infecção recente — e muito menos que isso seja evidência de infidelidade do(a) parceiro(a).
Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do útero