A peniscopia é o exame detalhado do pênis e, eventualmente, da bolsa escrotal e região perianal, utilizando uma lente de aumento ou um colposcópio. Tradicionalmente, também se utiliza ácido acético para tentar tornar mais visíveis pequenas alterações da pele e das mucosas.

Durante muitos anos, esse exame foi bastante utilizado em homens parceiros de mulheres com HPV, com o objetivo de procurar pequenas alterações consideradas manifestações “subclínicas” da infecção.

Hoje sabemos que essa utilização da peniscopia tem pouco valor.

A peniscopia permite saber se o homem tem HPV?

Não.

Após a aplicação do ácido acético podem aparecer áreas esbranquiçadas, mas esse achado não é específico da infecção pelo HPV. Inflamações, traumatismos, alterações benignas da pele e outras condições também podem produzir alterações semelhantes.

Isso pode levar a dúvidas diagnósticas, realização desnecessária de biópsias e até tratamento de áreas que não representam doença.

Além disso, uma peniscopia normal não significa que o homem não tenha ou nunca tenha tido HPV. Se quiser entender melhor como a infecção pode ser identificada e quais exames realmente têm utilidade, veja Como posso saber se tenho infecção pelo HPV?

Por isso, não se recomenda realizar peniscopia simplesmente para procurar HPV em homens assintomáticos ou porque sua parceira ou parceiro apresentou teste de HPV positivo.

E as verrugas genitais?

Os condilomas, ou verrugas anogenitais, geralmente são visíveis a olho nu e podem ser diagnosticados por meio de um exame clínico cuidadoso, sem necessidade de peniscopia.

Em casos duvidosos, entretanto, o aumento pode auxiliar o médico a examinar melhor uma determinada alteração e decidir se é necessária uma biópsia.

Existem situações em que o exame com aumento pode ser útil?

Sim.

O exame detalhado do pênis pode ser útil quando existe uma lesão visível ou suspeita que precisa ser melhor caracterizada.

Uma situação particularmente importante é a suspeita de neoplasia intraepitelial peniana (PeIN), uma lesão precursora do carcinoma escamoso do pênis. Nesses casos, o exame cuidadoso da lesão e, frequentemente, a realização de biópsia são importantes para estabelecer o diagnóstico e orientar o tratamento.

Portanto, existe uma diferença fundamental entre examinar com aumento uma lesão que realmente existe e realizar uma peniscopia em um homem sem alterações apenas para tentar descobrir se ele tem HPV.

E os testes de HPV no homem?

Embora seja possível detectar HPV em amostras obtidas de diferentes regiões genitais masculinas, não existe atualmente um teste de HPV recomendado para rastreamento rotineiro de homens assintomáticos.

Um resultado negativo também não permite afirmar que o homem nunca teve contato com o vírus ou que não possa apresentar HPV em outra região não incluída na coleta.

Uma peniscopia negativa pode mostrar quem transmitiu o HPV?

Não.

Uma peniscopia normal, uma biópsia negativa ou um teste de HPV negativo não permitem determinar quando uma pessoa adquiriu o HPV nem de quem o adquiriu.

O HPV pode permanecer sem produzir qualquer manifestação e pode deixar de ser detectado durante longos períodos. Por isso, quando um dos parceiros apresenta HPV ou uma doença relacionada ao vírus, geralmente não é possível estabelecer quando ocorreu a infecção.

Consequentemente, resultados diferentes entre parceiros não constituem evidência de infidelidade.

Em resumo, a peniscopia não deve ser utilizada como exame de rastreamento do HPV no homem. Seu maior valor está na avaliação cuidadosa de alterações ou lesões clinicamente identificadas, quando o exame com aumento pode contribuir para o diagnóstico e para a escolha do local mais adequado para uma eventual biópsia.