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Pessoas LGBTQIA+ precisam fazer o exame preventivo do câncer do colo do útero?

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Qualquer pessoa que tenha útero tem risco de ter câncer do colo do útero, independente de sua orientação sexual. O câncer do colo do útero não depende de atividade sexual regular, mas da infecção persistente por HPV considerados oncogênicos (ou ditos de "alto risco").

Assim, caso você tenha tido alguma relação sexual em qualquer época da vida, mesmo que apenas uma vez, e tenha colo do útero, pode ter tido contato com o HPV e deve realizar o exame preventivo. Ele deve ser feito como nas mulheres, ou seja, entre os 25 e 60 anos, utilizando testes de HPV ou entre 25 e 64 anos no caso da citologia. O teste deve ser repetido a cada cinco anos, caso negativo, e a citologia a cada três anos depois de dois exames anuais negativos. Caso seja detectada alguma alteração, é possível que precise de uma colposcopia.

Como as lesões precursoras são assintomáticas, estar se sentido bem não é uma garantia de que tudo vai bem. A não realização do preventivo pode permitir que uma lesão pré cancerosa evolua para o câncer, perdendo a oportunidade de prevenção.

Uma alternativa que vem sendo usada em algumas partes do mundo e foi contemplada na atual diretriz brasileira é a autocoleta de testes de HPV. Trata-se de um método em que a própria pessoa pode coletar o material para detectar a presença do HPV na vagina. Vocë pode utilizar esse método do caso você se sinta contrangide em se submeter a um exame ginecológico. Converse com algum de seus médicos assistentes para obter um pedido médico e retirar o material para coleta e, depois de colhido, encaminhar o material para exame num laboratório de análises clínicas. Dependendo do resultado, poderá ser necessária uma colposcopia (veja em https://www.cervical.com.br/perguntas-frequentes/hpv-e-doencas-relacionadas/123-o-que-significa-um-teste-de-hpv-positivo.html). Em caso de dúvidas, fale conosco.

Os serviços de saúde devem estar preparados para receber qualquer pessoa independente de sua orientação sexual para atendê-la em qualquer demanda, mas essa não é a realidade em todos os serviços. Assim, é compreensível que você se sinta constrangide.

Sugiro, como melhor preparação para lidar com esse constrangimento, que solicite a coleta do preventivo explicando ao profissional a situação e como se sente frente a essa necessidade. E, caso não se sinta acolhide como gostaria, use os canais de ouvidoria da instituição para expor seu desconforto. Isso ajudará os profissionais e o serviço a se prepararem melhor para lhe receber em oportunidades futuras.

Na Cervical, realizamos a colposcopia de qualquer pessoa, idenpendente de sua identidade de gênero ou orientação sexual.

Caso prefira, faça um contato prévio pelo Fale Conosco.

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/r/rastreamento-cancer-do-colo-do-utero/view

Teste de DNA-HPV no rastreamento do câncer do colo do útero

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Os testes para detecção do HPV existem há várias décadas e utilizam diferentes técnicas laboratoriais. Atualmente, destacam-se os testes moleculares capazes de identificar o DNA dos tipos de HPV relacionados ao câncer do colo do útero, chamados HPV oncogênicos ou de alto risco.

As novas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero modificaram de forma importante a maneira como esses exames são utilizados. O teste de DNA-HPV oncogênico passou a ser o exame primário recomendado para o rastreamento, substituindo progressivamente o exame preventivo tradicional, também conhecido como Papanicolaou, citopatológico ou citologia oncótica.

Essa mudança ocorreu principalmente porque o teste de DNA-HPV é mais sensível: quando seu resultado é negativo, a probabilidade de existir ou surgir nos próximos anos uma lesão precursora importante é muito pequena. Por esse motivo, após um teste de DNA-HPV negativo, o rastreamento pode ser repetido somente cinco anos depois.

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/r/rastreamento-cancer-do-colo-do-utero/view

 

A partir de que idade deve ser realizado?

Para mulheres — e demais pessoas com colo do útero — de risco habitual, que já iniciaram atividade sexual, o rastreamento com teste de DNA-HPV deve começar aos 25 anos.

Antes dos 25 anos, não é recomendado realizar rastreamento nem com teste de HPV nem com Papanicolaou. Nessa faixa etária, as infecções pelo HPV são muito frequentes e, na grande maioria das vezes, desaparecem espontaneamente. O rastreamento precoce poderia levar à investigação e ao tratamento de alterações que provavelmente regrediriam sem qualquer intervenção, ocasionando mais danos do que benefícios.

O rastreamento pode ser encerrado quando houver um teste de DNA-HPV negativo realizado após os 60 anos, desde que não existam condições especiais que indiquem acompanhamento prolongado. Mulheres que já trataram lesões precursoras importantes, por exemplo, podem necessitar de seguimento por mais tempo.

O que significa um teste de HPV positivo?

Ter HPV oncogênico detectado não significa ter câncer e nem mesmo necessariamente ter uma lesão precursora. O teste identifica uma infecção que aumenta o risco de desenvolvimento dessas alterações.

O risco não é o mesmo para todos os tipos de HPV. Os tipos HPV 16 e HPV 18 estão particularmente associados ao câncer do colo do útero e, por isso, recebem uma conduta diferente.

As novas diretrizes brasileiras recomendam testes capazes de realizar genotipagem, isto é, distinguir pelo menos os tipos de maior risco dos demais HPV oncogênicos.

O que fazer quando o teste é positivo?

HPV 16 ou HPV 18 detectado: a recomendação é realizar diretamente uma colposcopia, sem necessidade de um Papanicolaou prévio para decidir esse encaminhamento.

Outros tipos de HPV oncogênico: deve ser realizada uma citologia reflexa, preferencialmente utilizando a mesma amostra já coletada para o teste de HPV. Se a citologia apresentar qualquer alteração a partir de ASC-US ou se for insatisfatória, está indicada a colposcopia.

Se esses outros tipos de HPV forem detectados, mas a citologia estiver normal, em geral não há necessidade de colposcopia imediata. O teste de DNA-HPV deve ser repetido em 12 meses.

Se o novo teste for negativo, a pessoa retorna ao rastreamento habitual, repetindo-o em cinco anos. Se houver persistência da infecção, a conduta dependerá do tipo de HPV, do resultado da nova citologia e do tempo de persistência. A presença persistente de HPV oncogênico por dois anos ou mais é indicação de colposcopia, mesmo que a citologia permaneça normal.

E o Papanicolaou?

O Papanicolaou continua sendo um exame importante, mas seu papel está mudando.

No novo modelo de rastreamento, não se recomenda realizar rotineiramente Papanicolaou e teste de DNA-HPV ao mesmo tempo. A citologia passa a ter principalmente a função de complementar a avaliação das pessoas nas quais o teste de DNA-HPV detectou tipos oncogênicos diferentes do HPV 16 e 18.

Nas regiões onde o teste de DNA-HPV ainda não estiver disponível, o exame citopatológico continuará sendo utilizado para o rastreamento durante o período de transição para o novo programa.

E a Captura Híbrida?

A Captura Híbrida foi um dos primeiros testes de HPV amplamente utilizados e teve grande importância na introdução da pesquisa molecular do HPV na prática clínica. Ela detecta conjuntamente um grupo de tipos oncogênicos, mas não identifica individualmente HPV 16 e HPV 18.

As novas diretrizes brasileiras priorizam testes de DNA-HPV baseados em PCR, com genotipagem parcial ou estendida, pois essa informação permite estimar melhor o risco e definir a necessidade de colposcopia.

Na Captura Híbrida, o laboratório pode apresentar um valor numérico relacionado à intensidade do sinal do exame. Algumas vezes esse resultado é chamado de “carga viral”, mas ele não deve ser interpretado como uma medida da quantidade de vírus capaz de indicar a gravidade da doença. Esse valor não é utilizado para decidir a necessidade de colposcopia, determinar se uma lesão é mais ou menos grave ou acompanhar se a infecção está melhorando.

O que realmente importa para a decisão clínica é se um HPV oncogênico foi detectado, qual o tipo de HPV envolvido quando há genotipagem, os resultados dos exames complementares e a persistência ou não da infecção ao longo do tempo.

As recomendações acima se referem ao rastreamento de pessoas assintomáticas e de risco habitual. Mulheres com sintomas, imunossupressão ou história prévia de lesões precursoras ou câncer podem necessitar de acompanhamento diferente e individualizado.

Toda mulher com NIC 2 precisa de tratamento?

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A NIC 2 é a neoplasia intraepitelial de grau 2. É considerada uma lesão de alto grau, ou seja, uma lesão precursora  do câncer do colo do útero.

Em geral, as lesões precursoras devem ser tratadas para impedir a progressão para o câncer. Mas evidências consistentes têm mostrado que a maioria das NIC 2 regridem após a biópsia, especialmente em mulheres até 30 anos. Considerando que os tratamentos excisionais acarretam algum risco de complicações em gestações futuras, principalmente parto prematuro, a maioria das diretrizes internacionais e a brasileira (em atualização) recomendam que mulheres até 30 anos ou com preocupações quanto a futuras gestações sejam abordadas conservadoramente.

Mas, no lugar de serem tratadas, essas mulheres devem ficar em um seguimento cuidadoso, repetindo citologia e colposcopia a cada seis meses e teste de DNA-HPV oncogênico anual. Se durante esse seguimento for percebida alguma evidência de lesão mais relevante (NIC 3) ou, se ao final de dois anos a lesão permanecer estável, a recomendação é que a mulher seja tratada. 

Também existem evidências de mulheres com NIC 2 abordadas conservadoramente têm maior probabilidade de câncer no futuro.

Há uma proposta americana, de 2012, que se baseia apenas da presença de um biomarcador: o p16. Assim, seu médico poderá pedir esse exame para definir a necessidade de tratamento. Todavia, acreditamos que esse não deve ser o único parâmetro para a tomada de decisão. Idade, resultado do preventivo que motivou a colposcopia, tipo de HPV presente, extensão e aspecto da lesão biopsiada e aspecto e extensão da lesão que restou após a biópsia e, principalmente, a possibilidade de seguimento, nos parece um conjunto mais adequado de parâmetros para a decisão de tratar ou seguir conservadoramente (sem tratamento).

Na Cervical procuramos fazer avaliações individualizadas e discutir a decisão de tratar ou acompanhar com a própria mulher e seu médico assistente.

Fale conosco.

Mulheres que sempre fizeram a prevenção do câncer do colo com o exame de Papanicolaou se beneficiam da substituição pelo teste de HPV?

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A OMS recomenda que 70% das mulheres sejam rastreadas para o câncer do colo do útero com um teste de alta sensibilidade, ou seja, que perca menos diagnósticos quando uma lesão precursora (que vem antes do câncer) ou câncer inicial (assintomático) está presente.

É isso mesmo: a citologia pode perder diagnósticos. O teste de maior sensibilidade é o de detecção de HPV de alto risco. 

Há poucos anos começamos a utilizar testes de HPV em clínica privada e, desde 2025, também no SUS.

Por sua alta sensibilidade, dificilmente ele será negativo na presença de uma lesão precursora. Por outro lado, na maioria das vezes, não há uma lesão e o resultado positivo provoca muitas reações negativas.

Além do medo de câncer, surgem questões relacionadas ao fato de o HPV ser uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST), o que leva a mulher a se sentir muito mal pelo preconceito que temos contra pessoas que adquirem uma dessas doenças. Para ter HPV não precisa ser promíscua ou descuidada. E é muito difícil se prevenir do HPV: é a IST mais frequente em todo o mundo!

Outras buscam um "culpado" que lhe transmitiu a infecção ... o fato de seu preventivo nunca ter mencionado a presença do HPV não significa que ele não estivesse presente, pois os preventivos tradicionais (colpocitologia, exame citopatológico ou de Papanicolaou) apenas apontam alterações celulares. Se o HPV estiver presente na forma latente, sem se multiplicar, as alterações celulares podem ser mínimas ou inexistentes. Assim, como a maioria das pessoas se contamina pelo HPV logo no início da vida sexual, você ou seu parceiro(a) podem ter se contaminado muito antes de se conhecerem. 

E será que mulheres que sempre fizeram a prevenção do câncer do colo com o exame de Papanicolaou se beneficiam da substituição pelo teste de HPV?

Apesar do teste de HPV perder menos diagnósticos, a repetição do preventivo tradicional aumenta sua capacidade de detectar as lesões. A própria OMS reconhece que exame de Papanicolaou também é efetivo, desde que garantida sua qualidade, e recomenda sua substituição pelos testes de HPV onde ou quando for possível. Assim, quem nunca fez o teste e tiver a oportunidade de fazê-lo, essa é a recomendação atual.

Também, no caso de mulheres que nunca fizeram o exame preventivo, tem dificuldade de fazê-lo, ou não desejam se submeter a ele, o teste pode ser a única oportunidade de diagnóstico e pode ser realizado por autocoleta. E, quando negativo, permite a repetição em 5 a 10 anos!

Como ainda estamos vivenciando uma transição do exame preventivo tradicional para o teste de HPV, ainda estamos aprendendo a lidar com seus resultados. Procure esclarecer essas questões com seu médico assistente.

 

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